quarta-feira, 17 de março de 2010

Corrida para a liderança

Decorreu este fim de semana, o congresso extraordinário do partido social democrata em Mafra, promovido por Pedro Santana Lopes, com vista à clarificação interna do partido e ao debate de projectos para o país.

Ressaltou deste congresso, a presença de todos os ex-líderes do partido, do seu passado recente, dentre os quais se evidenciou Marcelo Rebelo de Sousa, ausente por 11 anos deste tipo de eventos. Foi recorrente nos discursos a necessidade de blindar o partido e o apelo à sua unidade, bem como, a atribuição da responsabilidade política do estado do país ao governo socialista e ao primeiro-ministro. Esta reunião magna ficou marcada pela singularidade, da presença dos quatro candidatos à liderança do partido, num momento em que se exige uma liderança forte e assertiva no maior partido da oposição.

São algumas as evidências que se podem retirar deste congresso, e a mais efectiva prende-se- tal como esperado- pela afirmação de Pedro Passos Coelho, como o principal candidato a vencer as eleições de 26 de Março, assim como Paulo Rangel, que se apresenta como a figura mais bem colocada para disputar a vitória ao primeiro. Por sua vez, Pedro Aguiar Branco, pese embora os bons debates televisivos que realizou não conseguiu mobilizar os militantes para a sua causa e está fora da corrida.
Foi visível que a maioria dos congressistas estavam com PPC, fruto dos dois anos que este dedicou ao contacto com os militantes, correndo o país de norte a sul e mobilizando as distritais para a sua causa. De PPC, era expectável que jogasse à defesa tal como veio a fazer, e recaíam em Paulo Rangel as maiores expectativas deste congresso, de quem se esperava um golpe de asa que revertesse o estado de coisas. Apesar de ter sido de PR o melhor discurso dos quatro candidatos, este não foi suficiente- aparentemente- para ameaçar a posição de PPC.

Restam cerca de duas semanas de campanha, as candidaturas continuam a percorrer o país e restam ainda algumas intervenções na comunicação social, entre as quais, o debate de 22 de Março na RTP com os quatro candidatos que, de alguma forma, poderá dissipar algumas dúvidas.

Relativamente às ideias defendidas por PPC e PR durante esta campanha agrada-me em Rangel a convicção que coloca nas suas posições: na defesa do incremento do ensino profissionalizante; numa política de apoios e investimento descentralizada, com grande atenção para o interior do país; e na mobilização dos recursos financeiros para investimentos de proximidade que, de forma efectiva, estimulam a economia e criam emprego.

Apesar de tudo, as diferenças entre PPC e PR ( podíamos acrescentar Pedro Aguiar Branco), são de estilo, porque no essencial todos os candidatos defendem o estado mínimo, a economia assente na iniciativa privada tendo o estado como entidade reguladora.

Será decisivo, qualquer que seja o próximo presidente do PSD, que o partido se deixe de divisões- o que não significa o unanimismo do PS- e que exerça com convicção e responsabilidade o cargo para que foi eleito na Assembleia da República. Que saibamos ser uma força de equilíbrio, promovendo entendimentos quando necessários, e movendo oposição quando indispensável.

Exige-se um PSD forte, mobilizado e assertivo, com um programa credível e ambicioso. Exige-se que o PSD saiba conquistar o poder e não aguarde que este caia de podre nas suas mãos. Exige-se organização e planeamento porque em 2011, após a "reeleição" do Presidente da República, teremos, com grande probabilidade eleições antecipadas.