segunda-feira, 16 de março de 2009

Josef Fritzl admite incesto mas nega homicídio

O pai incestuoso austríaco Josef Fritzl, que hoje começou a ser julgado, deu-se como culpado dos crimes de violação, sequestro e incesto, mas não dos crimes de assassínio e escravatura. O julgamento do austríaco acusado de ter mantido em cativeiro e de ter violado a filha durante 24 anos começou hoje num tribunal de Sait Poelten, a 65 quilómetros de Viena. Rodeado por seis polícias, Josef Fritzl chegou ao tribunal escondendo a cara com uma grande pasta azul.

Três juízes e oito jurados vão decidir a culpabilidade ou não de Fritzl, que é acusado dos crimes de assassínio, escravatura, sequestro, violações, ameaças agravadas e incesto. O seu advogado, Rudolf Mayer, indicou que recusava a acusação de assassínio, não reconhecendo a responsabilidade do cliente na morte de um dos filhos de incesto, um recém-nascido que morreu por falta de cuidados no esconderijo pouco depois de nascer, em 1996.

Josef Fritzl, 73 anos, reconhece que manteve a filha Elizabeth em cativeiro numa cave durante 24 anos e que da relação incestuosa com ela nasceram sete filhos. No entanto, nega qualquer responsabilidade na morte de um dos filhos à nascença fruto da relação incestuosa com a filha, embora reconheça que queimou o corpo numa caldeira instalada na cave da casa onde viviam.
Três filhos foram educados por Fritzl e a mulher deste, mas três outros passaram a vida inteira na cave com a mãe sem ver a luz do dia até terem sido libertados, em Abril de 2008.

Elisabeth, actualmente com 42 anos, foi fechada na cave pelo pai a 29 de Agosto de 1984, quando tinha 18 anos. Na altura, Josef Fritzl afirmou que a filha tinha fugido de casa para ingressar numa seita desconhecida, versão aceite pelas autoridades. A família, que esteve separada durante anos, reuniu-se na clínica de Amstetten-Mauer depois de terem sido libertados pela Polícia.
Se o tribunal der como provadas as acusações, Fritzl pode ser condenado a prisão perpétua.

Fonte: Expresso online

1 comentário:

João Paulo disse...

São este tipo de casos que felizmente são algo raros, que nos recordam que a pessoa humana pode assumir as mais variadas formas, da maior demonstração de humanismo e solidariedade, à concretização dos actos mais hediondos e tortuosos. À semelhança dos atentados a escolas por jovens adolescentes, fica a lição de que é necesária uma constante vigilância e atenção para com a realidade que nos rodeia, pois é também nossa a responsabilidade de denunciar certas situações que verificamos regularmente. Por outro lado, cabe também às autoridades tentar prevenir certas situações que são do domìnio público e tentar arranjar mecanismos que possam diminuir o risco de que se levem a cabo situações idênticas.