sábado, 19 de junho de 2010

Saramago (1922-2010)


No Ensino Secundário, eu era um dos que criticava a escrita de José Saramago quando analisei a obra "Memorial do Convento". Aquele tipo de pontuação, aquelas falas entre vírgulas...não gostava!

Depois disso, por vontade própria, investiguei as suas obras anteriores e posteriores.

Estava errado. Aquela escrita, ao ser lida, exigia muita concentração. No entanto, apercebi-me realmente da sua excepcionalidade e genialidade. Do seu carisma. Das suas convicções. Do seu ateísmo (como ele dizia: "Não sou um ateu total, todos os dias tento encontrar um sinal de Deus, mas infelizmente não o encontro"). Da capacidade que as suas obras tinham de atravessar gerações. Ficava tudo muito claro nas suas obras e nas suas expressões.

As suas mensagens para a sociedade portuguesa também recebiam a minha atenção. Ficam aqui algumas delas:

"Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo."

"Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos."

"Todos sabemos que cada dia que nasce é o primeiro para uns e será o último para outros e que, para a maioria, é so um dia mais."

"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."

Neste dia do seu desaparecimento, fica aqui lembrado o seu contributo para a divulgação da língua portuguesa, e também a sua relevância para aqueles que, tal como eu, foram há algum tempo despertados para conhecer melhor a sua vida e obra, e que ficam à espera do livro que Saramago não quis publicar em vida.

Sem comentários: